**Background:** Hábitos alimentares inadequados são uma preocupação constante em saúde, com dietas baseadas em alimentos frescos sendo substituídas por alimentos processados, ricos em gordura, sal e açúcar. Estratégias de telessaúde, incluindo aplicativos de celular (mHealth) e mensagens de texto, têm sido propostas como ferramentas para promover alimentação saudável, oferecendo informações em tempo real, automonitoramento e feedback. Uma pesquisa de 2017 mostrou que 62% dos nutricionistas australianos, neozelandeses e britânicos usavam aplicativos de saúde, e 51% utilizavam mensagens de texto. Esta revisão rápida teve como objetivo sintetizar as evidências sobre os efeitos de intervenções de telessaúde no comportamento alimentar de adultos.
**Methods:** Foi realizada uma revisão rápida de revisões sistemáticas, com buscas em nove bases eletrônicas (PubMed, EMBASE, LILACS, Cochrane Library, Epistemonikos, PDQ Evidence, Health Systems Evidence, Health Evidence e Social Systems Evidence) em novembro de 2020, atualizadas em abril de 2022. Foram incluídas revisões sistemáticas publicadas em inglês, português e espanhol que avaliassem intervenções de telessaúde (aplicativos, mensagens de texto/SMS, telemedicina) comparadas ao atendimento presencial padrão para melhoria da alimentação em adultos de 18 a 59 anos. A seleção foi realizada de forma independente por duas revisoras no Rayyan, com discordâncias resolvidas por uma terceira. A extração de dados foi realizada por seis revisores e verificada por outra. A qualidade metodológica foi avaliada com a ferramenta AMSTAR 2.
**Key Results:** Das 8.292 referências iniciais (7.539 após exclusão de duplicatas), 38 foram lidas na íntegra, resultando em 3 revisões incluídas. Na atualização, 11 relatos foram identificados, resultando em 2 inclusões adicionais, totalizando 5 revisões sistemáticas. A confiança global foi moderada em uma revisão e criticamente baixa em quatro. As principais falhas metodológicas incluíram: critérios de inclusão inadequados, seleção não duplicada, falta de relato de estudos excluídos, ausência de fontes de financiamento dos estudos primários e falta de discussão do risco de viés. Os estudos primários foram conduzidos nos EUA (5 estudos), Índia (2), Finlândia (1) e Filipinas (1), com amostras variando de 51 a 517 participantes. As intervenções incluíram aplicativos (Vegethon, MyNutriCart), mensagens de texto, cursos online e estratégias combinadas, com duração de 2 semanas a 24 meses. Resultados específicos: (1) Consumo de frutas, legumes e verduras: um ECR com 135 participantes mostrou diferença média ajustada de 2 porções/dia de vegetais com o aplicativo Vegethon; outro ECR com 17 participantes mostrou diferença média de 7,4 porções/dia (P=0,02). Um ECR com 312 participantes não mostrou diferença significativa entre curso online + mensagens de texto versus curso presencial (d=0,14 para frutas, IC95%: -0,12 a 0,40; P=0,04). (2) Consumo de dieta mediterrânea: um ECR com 100 participantes não mostrou diferença entre grupos (P=0,29), embora ambos tenham melhorado (P<0,001). (3) Consumo de alimentos em geral: um ECR com 517 participantes mostrou que SMS + ações educativas resultou em menor consumo calórico (DM=-43,7 kcal, IC95%: -65,5 a -22,0), maior adesão às recomendações (OR=1,36, IC95%: 1,01 a 1,83; P<0,05), melhoria no tamanho da porção (OR=0,39, IC95%: 0,25 a 0,60; P<0,05), menor consumo de óleo (OR=0,46, IC95%: 0,30 a 0,69) e menor consumo de carboidratos (OR=0,52, IC95%: 0,34 a 0,78; P<0,05). Um ECR com 104 participantes mostrou melhora na adesão com mensagens de texto (P=0,02). Um ECR com 144 participantes não mostrou diferença significativa (adesão de 60,3% a 58,4% no grupo intervenção vs. 54,5% a 52% no controle). (4) Comportamento alimentar: um ECR com 219 participantes mostrou efeito favorável ao aplicativo (sem dados numéricos); um estudo piloto com 51 participantes mostrou melhorias no grupo do aplicativo, mas sem diferenças entre grupos para escolhas não saudáveis.
**Clinical Implications:** Esta revisão sugere que intervenções de telessaúde, especialmente aplicativos e mensagens de texto, podem ter efeitos positivos no consumo de frutas e vegetais e na melhoria do padrão alimentar de adultos, particularmente em populações com diabetes ou intolerância à glicose. No entanto, as evidências são limitadas pela baixa qualidade metodológica das revisões, pequeno número de estudos primários com amostras pequenas e grande heterogeneidade de intervenções e populações. Não foram identificados estudos sobre telemedicina (consultas à distância). Os autores concluem que há uma lacuna importante no conhecimento e que são necessários estudos metodologicamente mais robustos para confirmar esses achados e permitir a generalização dos resultados para a prática clínica e políticas públicas de saúde.